Edição 281
19 e 20 de dezembro de 2009
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Natureza Humana versus natureza
Todos temos absoluta certeza de que (não algumas), mas muitas coisas devem ser feitas para tentar reverter a situação climática na terra. Já é perceptível a mudança do clima e é assunto obrigatório em qualquer roda de bate papo. Não só os cientistas, mas pessoas comuns também discutem as precipitações climáticas. Podemos afirmar: quase 100 % das pessoas têm consciência ecológica. Porém: agir em defesa do meio ambiente é outra coisa.
As grandes lideranças e autoridades de vários países do mundo, que se encontrou em Copenhague, têm absoluta consciência da gravidade que representa à terra a emissão de gazes poluidores, o efeito estufa e a continuidade desses modelos econômicos que estão modificando o clima planetário. Mas está evidente também que não basta só se ter consciência. Ao que parece, ainda vai prevalecer à necessidade econômica, principalmente dos países ricos. Por isso que se diz – “Rico é rico”.
Chuvas torrenciais, frio e calor fora de época, secas e enchentes, ventos, tormentas e tornados, ondas gigantes, deslizamentos de morros e barreiras... Está enlouquecida a natureza, trazendo transtornos e tragédias a milhares de milhares de pessoas.
Além das mudanças climáticas, muitas outras coisas acontecem pela ação do homem sobre a natureza de forma direta e indireta. Destruição das matas, poluição dos rios, pesticidas e inseticidas nas lavouras. Fogem do controle com isso as pragas, as doenças, as epidemias.
Parece que a “natureza humana”, o “instinto”, está sempre em contraponto ao meio ambiente. Ele age de maneira predatória, explora, cria problemas, porém nem sempre consegue, ou quer buscar soluções para os problemas criados.
A natureza, os ricos e os pobres
Se traçarmos um paralelo entre os que sofrem com as precipitações da natureza, veremos que: os donos de grandes indústrias poluidoras, donos de fazendas que queimam as matas para criar pastagens, donos de plantações de cana de açúcar com as eternas queimadas, donos das minas de carvão, lideres mundiais e governantes, aqueles que têm o poder de mudar a trajetória desse modelo predatório de exploração da natureza, quando ocorrem as grandes tragédias, as enchentes, as secas, eles estão a salvos em suas mansões, em lugares seguros, enquanto que a grande parte da população, a massa pobre, sofre as conseqüências da ganância, do lucro a qualquer preço. E dizem os donos, estamos criando emprego. Estamos produzindo alimentos e coisas. Bilhões, trilhões e quatrilhões nos bancos, fortunas, castelos, mansões, carros moderníssimos, jóias, iates, aviões, helicópteros, apartamentos e casas de praias, enfim, os donos não param de acumular, ampliar seus patrimônios, tudo em nome de: criar empregos... O desemprego, a miséria, a fome abunda!
Nossos pequenos “probleminhas” ambientais
e de saúde pública
Esqueçamos por um instante os macros problemas ambientais e olhemos para os fundos dos nossos quintais.
Não está nas manchetes a febre amarela, a gripe suína, a leptospirose, a esquistossomose, a tuberculose, a doença de chagas, para citar essas. Mas se quisermos, num piscar de olhos, teremos uma nuvem de mosquitos da dengue.
Sim, usemos como por exemplo a “Dengue”, para falar de como a maior parte da população de uma cidade age com relação ao meio ambiente e a saúde pública...
Dengue: em muitos lugares uma epidemia. Aqui em Sant´Ana do Livramento não virou epidemia graças a ação (quase que invisível) dos agentes da Vigilância Sanitária, que descobriram focos do mosquito “aedes aegypti” nos quintais e terrenos baldios da nossa querida cidade neste setembro próximo passado.
Observe nas fotos o trabalho de três agentes, flagrados em ação.
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Silvio Brás, agente de campo do combate a Dengue, fura as latas para que não aconteça juntamento de água.
Silvio Brás, Wanderlei Fernandes e Silvia Gomes (São muitos outros, mas nos encontramos com estes). Três agentes de campo de combate a dengue em plena atividade nas ruas, visitando casa por casa, conversando com os moradores, instruindo sobre como evitar possíveis focos do mosquito, revisando vasos e mostrando tudo o que possa virar uma poça de água, que mais tarde poderá servir de moradia para os aedes aegypti.
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Silvio Brás e Wanderlei Fernandes, juntando lixo em terrenos baldios.
É impressionante de como muita gente descuida-se desse grave problema. O que importa é livrar-se do lixo que produziu. Não tem cuidado algum no acondicionamento desse lixo, esperar o caminhão coletor... Não! Juntam num saco e jogam no primeiro terreno baldio que encontram. Ou até mesmo no fundo de casa, sem se preocupar se o lixo poderá vir a ser um criadouro de mosquito, principalmente o mosquito da dengue que adora uma poça de água, numa tampinha de refrigerante, num saco plástico, numa garrafa pet, numa lata qualquer...
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Agente Silvia Gomes, da Vigilância Sanitária, com o Agente Regional Ervandil de Azevedo Jaime, do Ministério da Saúde/FUNASA - Fundo Nacional de Saúde. Ambos visitando as residências no combate a Dengue.
“A hora de agir é essa. O veredicto da história não poupará os que faltarem com suas responsabilidades neste momento”, ressaltou o presidente Lula lá em Copenhague.
Temos de agir nos grandes centros e também nos nossos quintais.
















Leonardo Boff






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