Espaço du´Cana


10/12/2011


Correio do Pampa 114

 

Capa da semana

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Edição 384

10 & 11 de dezembro

Ano 2011

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Espaço du'CAna

Publicado na página 04 do Correio do Pampa impresso.

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Tipuana de Serrilhadas, uma árvore para a posteridade.

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A tipuana da Bento sofreu a ação do motosserra da PM, que foi interrompida pelos moradores. Quem decidirá a sorte dessa tipuana?

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Cortes de árvores

Segundo me consta, a Prefeitura Municipal de Sant’Ana do Livramento fez um mapeamento de todas as árvores existentes no perímetro urbano.  O engenheiro agrônomo e seu ajudante (biólogo) chegaram a conclusão: nossa cidade não é arborizada como devia, que Livramento deveria ter o dobro de árvores das que existem atualmente, e que muitas árvores devem ser substituídas por outras espécies mais adaptáveis às ruas e avenidas. Mas depois desse mapeamento o que se tem observado são cortes e mais cortes das nossas árvores por parte da Prefeitura Municipal em quase todas as ruas de Livramento. E não vamos falar dos arbustos que do Parque Internacional, poderíamos, cortaram todos do lado de cá. Faça a comparação: lado brasileiro e lado uruguaio do Parque.

Na frente da Matriz

Tinham duas enormes árvores na frente da Matriz, na Praça General Osório. Guapuruvus igual aos da Av. Tamandaré, que são lindos e maravilhosos. Mas as árvores da frente da Matriz estavam comprometidas, galhos apodrecidos e troncos ocos. Foi inevitável o corte. Os troncos estão lá pra comprovar a necessidade do corte. Que idade teria essas árvores? O que causou o apodrecimento de seus galhos? Com certeza as tantas podas e essas duas estavam abaixo da fiação elétrica. Fios e cabos ecológicos existem, que podem conviver com as árvores. Não é o caso na nossa cidade.

Adeus às árvores

Na Rua Silveira Martins em frente ao açougue (verde), examinem o tronco para ver se encontram algum sinal de envelhecimento da tipuana cortada. Da Acássia Tipuana do General Neto, tronco sadio e vigoroso, mas foi ao chão. Todos foram convencidos que cairia um dia e seria uma tragédia. O visinho não precisa mais limpar as calhas. E as árvores do início da Vasco Alves, o morador argumentou e levou. O mesmo aconteceu com os cinamomos da Doutor Fialho com a Pinheiro Machado, foram arrancados de raiz, não quero crer nos motivos para dar fim às árvores: que marginais poderiam subir no tronco e pelos galhos pular por cima da cerca elétrica para dentro do pátio. Quatro árvores sacrificadas. E agora essa de cortar a tipuana da Bento Gonçalves. O dono do terreno quer construir e a árvore não está em seus planos. Chama o engenheiro agrônomo da prefeitura e lá vem o diagnóstico: a árvore está comprometida, poderá acontecer uma tragédia, entram os motosserras em ação, árvore no chão e o tronco fica lá para mostrar que a árvore era sadia. Esse é o destino da tipuana da Bento? Para uma cidade que não é arborizada, mapear árvores e dar liberação indiscriminadamente (qualquer argumento parece que serve) para cortes, quem está ganhando com isso? A natureza com certeza que não.

A tipuana de Serrilhadas

Na localidade de Serrilhadas – interior de Dom Pedrito/RS, vilarejo na linha divisória com o Uruguai, existe uma tipuana igual a da Rua Bento Gonçalves de Livramento. Uma árvore sadia, que nunca recebeu uma poda, está lá, majestosa, grandiosa, ao lado do marco demarcatório de fronteira. Se não é centenária, já está próximo a isso. É orgulho dos moradores da localidade e foi fotografada por José Henrique e publicada no Google Earth (panoramio). Uma árvore que se doa a posteridade. Lá não há empresários, nem moradores temerosos, nem calhas, nem comércio para competir com a árvore. Se um dia passar por lá, experimente a dádiva de sentar ao pé da tipuana de Serrilhadas.

A tipuana da Bento

Essa tipuana nunca recebeu uma pode, está ali há mais de 50 anos, poderia chegar aos cem, cento e cinqüenta, quem sabe? Ela poderia testemunhar a decisão desse empresário aos seus herdeiros, de fazer uma construção que inclua a árvore na arquitetura. As pessoas não têm longevidade como às árvores, mas as suas descendências agradecerão as árvores majestosas que para chegar a essa condição precisam das nossas decisões de hoje. Se depender da PM e do empresário dono do terreno, a tipuana vai pro saco e que venha o concreto armado para toda aquela quadra. Não basta mapear as árvores, há que se preservá-las. As gerações futuras agradecerão.

Escrito por duCANA - JN Canabarro às 18h27
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09/12/2011


Protesto

 

Já imaginou um protesto pelo corte da tipuana:

Uma semana

sem comprar nada no supermercado

se a árvore for sacrificada

em nome de uma construção?

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A Acássia Tipuana da Bento Gonçalves com todos os seus galhos intactos, sem poda, sem incomodar ninguém, cumprindo com sua missão de árvore.

Foto de 25 de agosto de 2007.

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É só cobrir as raizes, alguns baldes d'água e teremos a mais bela tipuana da cidade...

Agora não mais depois da ação do motosserra.

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A Acássia Tipuana da Bento, já com a ação do motosserra. Quem deu a ordem - Mata a tipuana!?

Foto de 06 de dezembro de 2011.

Fotos du'CAna 

Escrito por duCANA - JN Canabarro às 02h36
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05/12/2011


Correio do Pampa 113

 

Capa da semana

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Edição 383

03 & 04 de dezembro

Ano 2011

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Espaço du'CAna

Publicado na página 04 do Correio do Pampa impresso

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Dias comuns que marcam

Muitas coisas fazem parte dos meus dias, de boas e más lembranças. Por exemplo – minha estréia no teatro, lá no Instituto Livramento (Jesus na casa do pobre) e depois no salão da Igreja Episcopal (Quarto Movimento), na sala cultural. Não lembro se foi “Bons tempos, maus tempos...” ou “A Conversão do Diabo” minha primeira peça na sala Professor Chiquinho, mas a que fez maior sucesso e marcou realmente foi “A Conversão do Diabo”. Marcaram pessoas que passaram pelo meu teatro, que foram minhas amigas. Eu fui muito amigo, mas muito amigo mesmo de tanta gente, das que representavam comigo no palco, assim como as que ficavam na portaria tomando conta dos ingressos.

Amigos desaparecem, outros deixam de ser amigos

O meu cenógrafo era uma figura, sempre dava um jeito de conseguir um material mais barato pra sobrar um dinheirinho. Era competente, de quando em vez desaparecia o dia todo, aparecendo à noite e reclamando: “No quiero nim saber, yo quiero mi gita”. Mas mesmo assim era barato. Desapareceu, nunca mais soube notícias do Giovanni Sallas, ele marcou. O outro que subia comigo ao palco continua marcando e não como amigo. Dessa amizade, que não durou além dos posicionamentos políticos contrários, o que mais marcou foi quando faltou compromisso. Imagina uma cidade inteira (Jaguarão) esperando o nosso teatro, com ingressos vendidos, passagens de ônibus compradas, materiais de cena empacotado, hora de embarque o artista não aparece. Fui sozinho e deixei encarregado o Reverendo Naudal, hoje bispo Episcopal, que encontrasse o elemento desaparecido e colocasse-o no ônibus pra Jaguarão no dia seguinte. Montei o cenário e preparei o teatro sozinho, ele chegou na hora de representar. A desculpa: “- O meu filho estava doente”. Saiu às 20 horas e voltou as três da madrugada, sem o remédio, me confirmou a mulher dele. Isso marcou muito a minha vida.

Coisas pequenas também marcam

Vender apostilas para alunos, rifas, bônus do partido, tantos números vendidos, produtos entregues e contas prestadas. Pagar o aluguel e não preocupar o fiador, o “cinquentinha” do amigo, embora demorando bastante, foi pago, ter a tranqüilidade de caminhar de cabeça erguida sem desviar ruas de credores, pode parecer coisa banal, corriqueira quando cumpridas. De qualquer maneira, são coisas pequenas que marcam, tanto quanto uma bebedeira, vômitos e dor de cabeça no dia seguinte. Isso são coisas que marcam.

Grandes acontecimentos marcam

No dia 2 de junho deste ano, cinco professores quase morrem num acidente automobilístico, teve gente que disse: “Bem feito”. Os acidentados escaparam, mas ficaram marcados. Muito mais eu, que era o motorista, que travou, que tentou desviar do caminhão que invadiu a pista contrária. Não deu, foi um sufoco, foi doído, mesmo não sendo culpado, fica sempre a sensação de fracasso, de impotência. Imaginem a cena: pessoas sangrando, gemendo, presas nas ferragens e a expectativa de morte. E nos encontros políticos, nas repartições, nas casernas, uns e outros buscando culpados, um profissional da saúde a possibilidade de ganhar mesmo no infortúnio, são coisas que marcam, porém nada marca mais que os gritos e palavras de ordem dos acorrentados: “- Canabarro, fotógrafo e motorista que não sabe dirigir.” Quase seis meses depois do acidente os sindicalistas me acusam de culpa pelo acidente...

Burrice marca?

Burrice marca? Sim... Mais que a acusação de culpa de um acidente, mesmo não sendo culpado. Gritar que o governador não quer conversar “cunóis”, marca muito, Senhor presidente. Publicar no Facebook dizendo-se alfabetizadora e aposentada, criticando o “Senhor” que subiu o muro: “- Ele nunca esteve num lugar tão apropiado para ele... ENCIMA DO MURO. (O sublinhado é meu, para mostrar o erro da Sonia, alfabetizadora).

Escrito por duCANA - JN Canabarro às 11h53
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